Nutrição e Saúde Animal
Controle microbiológico em fábricas de ração pet
Cada vez mais as empresas produtoras de pet food precisam estar em dia com a segurança e a qualidade na fabricação dos seus produtos, mantendo os seus processos produtivos continuamente controlados.
O mercado de alimentos para cães e gatos está se expandindo e, cada vez mais, ganhando importância na economia brasileira. Esta expansão muito se deve a mudanças ocorridas no estilo de vida da sociedade, onde os animais de estimação vêm ocupando, de maneira crescente, um papel importante na vida das pessoas.

Com isso, o perfil destes clientes está se modificando e se tornando cada vez mais exigente, direcionando sua tomada de decisão para rações pet de qualidade, que influenciam inclusive na qualidade e beleza da pelagem do cão. Isso leva as empresas produtoras de pet food a serem constantemente testadas sobre a segurança dos seus produtos, precisando manter os seus processos produtivos controlados, com qualidade comprovada e contínua.
Seguindo este cenário, as empresas fabricantes de produtos destinados à alimentação animal estão cada vez mais preocupadas em aplicar em seus processos às Boas Práticas de Fabricação (BPF), que são as medidas e procedimentos higiênicos, sanitários e operacionais tomados durante todo o fluxo de produção, com o objetivo de garantir a qualidade, a segurança e a conformidade dos produtos produzidos. Porém, vários são os desafios higiênicos e sanitários encontrados pelas fábricas e que precisam ser controlados durante o processo. Dentre eles podemos citar:
- A higienização (limpeza + desinfecção) de ambientes, utensílios e equipamentos
- O risco de contaminação cruzada
- Outros desafios que podem fazer parte do processo produtivo e afetar de alguma maneira a inocuidade do produto final
Sendo assim, muitos esforços e controles precisam ser realizados para assegurar a qualidade da ração produzida e a ausência de contaminações em ambientes e equipamentos.
Como a higienização contribui para o controle microbiológico
As altas temperaturas aplicadas durante algumas fases do processo são capazes de destruir diversos agentes microbiológicos que possam estar presentes e que são capazes de contaminar o produto. Porém, após passar por estas etapas, o produto ainda pode entrar em contato com outras superfícies ou equipamentos e sofrer contaminação por meio de contaminação cruzada.
Portanto, a correta higienização de todas as áreas e equipamentos envolvidos no processo produtivo tem papel fundamental para reduzir a disseminação de resíduos e bactérias, com o intuito de garantir a maior eficiência do controle microbiológico.
No mercado é possível encontrar diversos produtos destinados para a higienização de ambientes, utensílios e equipamentos, com efeito antimicrobiano, principalmente sobre Enterobactérias e Salmonella. Estes produtos agem de maneira distinta, podendo ter efeito bactericida (destruindo a bactéria) ou bacteriostático (inibindo o crescimento bacteriano), dependendo da quantidade e do princípio ativo utilizado.
Os compostos por formaldeído ou por ácidos e sais orgânicos são os mais utilizados, pois ambos agem eficazmente, diminuindo a carga bacteriana que possa estar presente nos ambientes. Atualmente, os compostos por ácidos e sais orgânicos vêm ganhando amplo espaço nesta categoria, frente à redução acelerada do uso de compostos por formaldeído, devido às exigências de mercado. O ácido orgânico atua nas células bacterianas por meio da redução do pH intracelular, ocasiona alteração na permeabilidade da membrana, altera o sistema de transporte de aminoácidos e fosfatos, inativa enzimas e aumenta a pressão osmótica dentro da célula, provocando um aumento da pressão mecânica sobre a parede do micro-organismo, o que faz com que essa se rompa. A lesão na membrana da bactéria, a perda da sua integridade e o aumento a permeabilidade provoca a morte da célula bacteriana.
Neste contexto, fazer o uso de antimicrobianos à base de ácidos e sais orgânicos para a higienização de ambientes, utensílios e equipamentos em fábricas produtoras de pet food torna-se uma excelente ferramenta, pois estes são de fácil aplicação, possuem baixo nível toxicológico (tanto para os funcionários que manipulam o produto quanto para o ambiente que os funcionários realizam as operações), não corroem e não incrustam, desta forma não oferecem risco de contaminação cruzada após o término do seu efeito. Além destas facilidades, visam a proteção e a segurança dos alimentos destinados a animais de estimação, para que assim, as empresas possam manter a confiança dos donos de pets, que estão cada vez mais exigentes e dispostos a ofertar o que há de melhor para os seus animais.
Este artigo sobre Controle Microbiológicos em Fábricas de Rações Pet foi publicado na Revista Pet Food nº 68 de Junho de 2020