Nutrição e Saúde Animal

Como os antioxidantes naturais se tornaram uma forte tendência nas rações para pets

Como os antioxidantes naturais se tornaram uma forte tendência nas rações para pets

O uso de antioxidantes naturais para alimentos destinados aos animais de companhia tem sido uma tendência crescente, uma vez que os donos buscam por ingredientes com apelo natural e que tragam benefícios à saúde do pet.

O mercado de alimentação à base de ingredientes naturais para os animais de companhia tem crescido junto com as mudanças culturais dos seus donos. Isso porque os tutores estão observando cada vez com mais cuidado o que oferecem aos seus pets, pensando principalmente na oferta de alimentos mais naturais e que tragam benefícios à saúde do animal.

Nesse sentido, os cuidados com o animal necessariamente passam por uma dieta adequada que ofereça quantidades específicas de nutrientes. É preciso incluir nesta dieta proteínas, gorduras, óleos, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais. Óleos e gorduras são ingredientes muito utilizados na alimentação de animais de companhia como fonte concentrada de energia nas rações. Além de melhorar a palatabilidade, são fontes de ácidos graxos essenciais, contêm vitaminas lipossolúveis que melhoram a qualidade dos pelos e da pele do animal.

Mesmo com sua alta importância nutricional estes ingredientes são suscetíveis a um processo de oxidação dos lipídeos, considerado um dos principais causadores da deterioração dos alimentos. A oxidação gera perdas na qualidade sensorial, como aroma desagradável (ranço), perda do sabor, textura e cor, além de perda nos valores nutricionais e depreciação do produto final, o que torna o alimento impróprio para consumo.

Influência da oxidação lipídica

A oxidação é um fenômeno no qual o oxigênio atmosférico entra no alimento ou ocorre o inverso, há a perda de hidrogênios ou elétrons quando em contato com catalisadores, tais como calor, radicais livres e luz. Este processo ocorre somente com ácidos graxos insaturados. Os principais mecanismos de oxidação relacionados a alimentação de animais de companhia são:

  • Autoxidação: é o principal mecanismo de oxidação dos óleos e gorduras.
  • Oxidação enzimática: ocasionada pela lipoxigenase presente em vegetais (legumes, cereais, frutas) que estimula a oxigenação de alguns ácidos graxos insaturados, resultando na formação de hidroperóxidos, peróxidos, e radicais livres.
  • Fotoxidação: causada pela exposição do alimento à luz tendo como produto final peróxidos.

Autoxidação

No processo de autoxidação ocorrem três etapas: iniciação, propagação e término

  • Iniciação - ocorre a formação dos radicais livres - molécula com um elétron não emparelhado - devido à retirada de um hidrogênio, em condições favorecidas por luz e calor.
  • Propagação - os radicais livres são muito reativos. Esses radicais livres vão atacar as outras moléculas e transformar em mais radicais livres que irão atuar como propagadores da reação, resultando em um processo auto catalítico.
  • Término – com excesso de radicais livres, os mesmos se combinam para formar moléculas estáveis.  

Esses três mecanismos estão diretamente ligados a diminuição das qualidades sensoriais, nutricionais e estruturais dos alimentos, pois levam à degradação de vitaminas lipossolúveis e de ácidos graxos essenciais.

Formas de combater a oxidação da ração

A cada ano os consumidores ficam mais exigentes, buscando produtos naturais e de alta qualidade. Isso tem levado o mercado de alimentação de animais de companhia a adotar algumas medidas para combater o fenômeno de oxidação durante as fases de processamento e armazenagem dos produtos como:

  • Diminuição do contato com o oxigênio
  • Diminuição da temperatura de armazenamento e processamento
  • Busca da inativação das enzimas que catalisam a oxidação

De todos os métodos de proteção, o mais simples e eficaz contra a oxidação lipídica é, sem dúvida alguma, o uso de antioxidantes.

Utilização de antioxidantes naturais na ração

Os antioxidantes são definidos como substâncias empregadas para preservar alimentos e por retardar a deterioração, rancidez ou descoloração devido a oxidação. Atuam também como inibidores de radicais livres, interferindo no mecanismo de autoxidação de lipídeos. Os antioxidantes naturais irão agir, preferencialmente, com o oxigênio atmosférico ou contra os radicais livres, fazendo com que passe a etapa de propagação, seguindo direto para a terminação ou nem ocorra a fase de iniciação.

Os antioxidantes naturais podem ainda ser classificados em antioxidantes primários ou sinergistas. Os antioxidantes primários são compostos fenólicos com grande velocidade de reação com o oxigênio atmosférico ou com radicais livres que são formados na fase de iniciação de forma rápida. O mecanismo de ação ocorre pela doação de átomos de hidrogênio às moléculas de radicais livres, deixando-os estáveis (sem ação), interrompendo a reação em cadeia. Os antioxidantes sinergistas são aqueles que apresentam pouca ou nenhuma atividade antioxidante, mas quando combinados em proporções adequadas com outros antioxidantes podem ter a atividade aumentada (RAMALHO; JORGE, 2006).

Compostos antioxidantes naturais mais utilizados nas rações

Os produtos naturais com atividade antioxidante mais utilizados na indústria de alimentos, especificamente na produção de rações, são os tocoferóis, ácidos ascórbico e cítrico, e os óleos essenciais como alecrim e orégano.

  • Tocoferóis - vitamina E

A vitamina E é composta basicamente de tocoferóis. É o antioxidante natural mais comum, sendo que sua atividade é utilizada até mesmo nas células dos animais. Este composto atua como um sequestrador de elétrons, ou seja, interrompendo o processo de oxidação nas fases de propagação e terminação. O uso da vitamina E, quando consorciado com os outros compostos como os óleos essenciais, melhora e muito o seu poder antioxidante.

  • Ácido ascórbico

O antioxidante ácido ascórbico, ou vitamina C, atua retardando ou inibindo a ação dos radicais livres, impedindo que ocorra o aspecto rançoso ou os maus odores na ração.

  • Ácido cítrico

Este composto tem ação de sequestrar íons metálicos, principalmente cobre e ferro, que catalisam a oxidação lipídica.

  • Óleos essenciais

Os óleos essenciais são extratos vegetais retirados de diferentes partes das plantas. Estes compostos possuem uma forte ação antimicrobiana e antioxidante, gerando muitos ganhos com sua utilização na nutrição animal. A concentração dos princípios ativos possui variação de acordo com a planta e a parte a ser utilizada. Neste sentido, os compostos mais utilizados por possuírem ação antioxidante são:

  • Óleos essenciais de alecrim: tem como principais componentes os ácidos rosmarínico, carnósico e carnosol, com uso já bastante difundido. Uma das grandes vantagens deste produto é sua estabilidade semelhante ao BHT e BHA a 120 °C, cuja temperatura é superior a encontrada na maioria dos processos industriais da nutrição animal.
  • Óleos essenciais de orégano: este óleo essencial tem como composição principal o carvacrol e timol, e possui uma capacidade antioxidante semelhante ao BHT. Estes óleos são capazes de doar elétrons aos radicais livres reativos, tornando-os mais estáveis ou não reativos, conferindo ao óleo atividade antioxidante. Vale ressaltar que tanto o óleo de alecrim quanto o de orégano possuem uma capacidade antimicrobiana muito forte.

As soluções com ingredientes mais saudáveis e eficientes, como o BT-OX Prime, são motivadores para o desenvolvimento de produtos que atendam às necessidades do mercado pet. Desta forma, inovação e segurança alimentar podem sim, caminhar de mãos dadas.

Referência Bibliográfica:

RAMALHO, V. C.; JORGE, N. Antioxidantes utilizados em óleos, gorduras e alimentos gordurosos. Química Nova, v. 29, n. 4, jul. 2006.

Este artigo foi publicado na Revista Pet Food nº 69 - Julho/Agosto 2020.

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